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Brasil Aloca R$ 2,5 Bilhões para IA com Novo Supercomputador de 7,2 Mil Petaflops no RN

O Brasil anunciou um investimento de R$ 2,5 bilhões para impulsionar a infraestrutura de inteligência artificial no país, com destaque para a instalação de um supercomputador de alta capacidade no Rio Grande do Norte. Este equipamento, avaliado em R$ 1 bilhão, visa reduzir a dependência tecnológica externa e acelerar o desenvolvimento de modelos de IA, beneficiando universidades, empresas e órgãos governamentais.

Equipe USO IA 📖 6 min 👁 0
Imagem ilustrativa · IA Brasil Supercomputador · Fonte: Olhar Digital
Imagem ilustrativa · IA Brasil Supercomputador · Fonte: Olhar Digital

O Brasil anunciou um robusto pacote de R$ 2,5 bilhões destinado a fortalecer a infraestrutura nacional de inteligência artificial (IA) e o treinamento de modelos avançados. O destaque da iniciativa é a instalação de um supercomputador avaliado em aproximadamente R$ 1 bilhão no Rio Grande do Norte, conforme reportado pelo Olhar Digital.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita ao Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na região metropolitana de Natal (RN). Este equipamento será o coração do novo Centro Brasileiro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial.

Desempenho e Impacto do Novo Supercomputador

O supercomputador terá um desempenho impressionante, marcando um avanço significativo para a capacidade computacional do país. De acordo com o Olhar Digital:

  • Desempenho de 7,2 mil petaflops em FP16, permitindo até 7,2 quintilhões de operações por segundo em aplicações de IA.
  • Mais de 50 mil núcleos de processamento, capazes de trabalhar simultaneamente.
  • Consumo elétrico estimado em quatro megawatts.

Para ilustrar a magnitude, Marcelo Fernandes, diretor do Núcleo de Inteligência Artificial (Metrópole IA) do Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (IMD/UFRN), explicou que “Imagine uma pessoa realizando uma operação matemática por segundo, sem parar. Ela precisaria de aproximadamente 228 bilhões de anos para executar a quantidade de cálculos que o supercomputador poderá realizar em apenas um segundo”.

Ainda segundo o Olhar Digital, o novo equipamento é drasticamente mais potente que o atual supercomputador Santos Dumont (27 petaflops), que levaria cerca de 11 anos para treinar um grande modelo de linguagem como o GPT-4. Com a nova máquina no RN, esse processo poderá ser concluído em aproximadamente um mês.

Investimentos e Acesso Compartilhado

Do total de R$ 1,06 bilhão previsto para o supercomputador, R$ 960 milhões serão destinados à sua compra e R$ 100 milhões para preparação e operação, financiados pelo CT-Infra e integrados ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O PBIA, por sua vez, prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.

A escolha do Rio Grande do Norte para sediar o supercomputador, segundo o presidente Lula, visou a descentralização de investimentos.

“São Paulo queria, Campinas queria. E por que eu decidi aqui? Porque eu acho que a gente precisa olhar o Brasil e os estados que mais necessitam”, afirmou Lula.
A governadora Fátima Bezerra destacou que o estado oferecia as condições técnicas ideais, incluindo a abundância de energia limpa de fontes eólica e solar.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, esclareceu que a infraestrutura não será exclusiva do governo. Universidades, instituições de tecnologia, empresas e órgãos públicos poderão utilizar o equipamento.

“Não se trata só de adquirir uma máquina. Há contrapartidas previstas que as empresas deverão cumprir, benefícios estruturantes para o nosso país. É todo um ecossistema em torno dessa máquina”, pontuou a ministra.

Estratégia Nacional em IA e Desenvolvimento de Chips

A aquisição para o Rio Grande do Norte é apenas uma das três frentes tecnológicas apresentadas pelo governo para expandir a infraestrutura de supercomputação brasileira. As outras iniciativas, conforme detalhado pelo Olhar Digital, incluem:

  • Cooperação com a China: Implantação de uma estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, resultado de uma parceria com a Huawei e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Com investimento estimado em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, este centro desenvolverá um grande modelo de linguagem (LLM) em português e espanhol, em colaboração com a chinesa iFlytek, e capacitará três mil profissionais.
  • Desenvolvimento de chips livres de patentes: Uma iniciativa em Campinas (SP) com um horizonte de 10 a 15 anos, visando a arquitetura RISC-V. O governo destinará R$ 125 milhões e busca igual valor da iniciativa privada para reduzir a dependência externa em tecnologias críticas.

Outra proposta é a criação de uma "nuvem brasileira" com servidores fabricados e controlados nacionalmente, além de um Centro de Transparência Algorítmica, que receberá R$ 50 milhões para ser comandado por pesquisadores da UFMG, produzindo análises de risco e falhas em modelos de IA.

Parcerias Internacionais e Cenário Geopolítico

Os anúncios do governo federal ocorrem em um momento de intensa disputa tecnológica global entre Estados Unidos e China pelo domínio da IA. O Olhar Digital e o G1 Tecnologia contextualizam que a Casa Branca tem tentado isolar a China no desenvolvimento de IA, alertando países como o Brasil sobre possíveis exclusões de coalizões de investimento em tecnologia.

A ministra Luciana Santos, em entrevista à Folha de S.Paulo, reconheceu os "incertezas e riscos" de negociar com a China, dado que "Os Estados Unidos ameaçam cessar o fornecimento a quem fizer negócios nessas áreas mais críticas com a China". Contudo, ela também ponderou sobre o interesse comercial dos EUA: "Não sei até que ponto o que é proclamado vai acontecer na prática, porque se trata de um interesse objetivo", disse a ministra, referindo-se ao alto valor do investimento brasileiro.

O presidente Lula, por sua vez, expressou o desejo de ter tanto os Estados Unidos quanto a China "conosco", afirmando que o Brasil ainda não está preparado para disputar tecnologicamente com nenhum dos dois gigantes.

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