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China IA data center

Cidade na Mongólia Interior Vira Polo Chave para Data Centers de IA da China

Ulanqab, uma cidade na Mongólia Interior, emergiu como o principal hub para data centers de inteligência artificial na China, atraindo investimentos massivos de empresas como ByteDance e Alibaba. A região oferece vantagens como energia barata, clima frio para resfriamento e baixa latência para Pequim. Embora haja um esforço para usar energias renováveis, a dependência do carvão e a escassez de água local representam desafios ambientais e operacionais para essa expansão sem precedentes, que já superou em capacidade projetos globais como o Stargate da OpenAI.

Equipe USO IA 📖 4 min 👁 0
Imagem ilustrativa · China IA data center · Fonte: Wired AI
Imagem ilustrativa · China IA data center · Fonte: Wired AI

Ulanqab Emerge como Polo Global de Data Centers de IA

A Mongólia Interior, uma vasta região árida a apenas duas horas de trem a oeste de Pequim, está se transformando rapidamente no epicentro da construção de data centers de inteligência artificial na China. A cidade de Ulanqab, com cerca de 1,5 milhão de habitantes, viu a abertura ou o início da construção de quase 100 data centers desde 2016. Esta expansão a posiciona como um dos aglomerados de computação de crescimento mais rápido na Ásia, conforme uma nota de pesquisa publicada pela Goldman Sachs.

Empresas chinesas prometeram projetos com uma capacidade combinada estimada em 12,5 gigawatts na cidade. Mais de 70% desses compromissos foram anunciados apenas no último ano, superando a capacidade total de 10 gigawatts projetada para o Projeto Stargate da OpenAI. A Wired AI destaca que essa corrida para Ulanqab é impulsionada por diversos fatores estratégicos e econômicos.

Vantagens Estratégicas e Econômicas Atraem Gigantes da Tecnologia

A localização de Ulanqab no planalto da Mongólia Interior oferece invernos longos e frios, o que significa que os data centers exigem menos energia para resfriamento. Além disso, a proximidade com Pequim garante baixa latência na transmissão de dados para as regiões mais populosas da China. No entanto, o fator mais atrativo são os custos de eletricidade. A Mongólia Interior possui uma das energias mais baratas da China, impulsionada tanto pelo crescimento da energia eólica e solar quanto pela abundante oferta de carvão.

Pela primeira vez, grandes empresas chinesas de IA, como DeepSeek, ByteDance, Alibaba e Xiaohongshu, estão investindo pesadamente em sua própria infraestrutura de data centers em vez de apenas alugar capacidade de empresas de nuvem. Esse movimento, que marca uma mudança significativa, sinaliza que elas estão finalmente buscando alcançar seus pares americanos na construção de infraestrutura física, algo em que historicamente gastaram muito menos, de acordo com a Wired AI.

Da Armazenagem de Backup ao Treinamento de Modelos de IA

A Mongólia Interior tem sido um ponto de interesse para data centers há pelo menos uma década. A Huawei construiu seu primeiro em Ulanqab em 2016, seguida pela Apple três anos depois. Em 2021, a área foi designada como um dos principais centros de um projeto governamental nacional chamado "Dados do Leste, Computação do Oeste", que visa construir data centers no interior ocidental da China.

Inicialmente, a distância desses data centers da costa leste populosa da China resultava em altas taxas de latência, relegando-os principalmente ao armazenamento de backup. Contudo, a ascensão da IA em 2022 mudou esse cenário. Andrew Stokols, professor da Singapore Management University que estuda a infraestrutura de computação da China, observou que

"com a ascensão da IA em 2022, percebeu-se que, na verdade, esses data centers remotos poderiam ser bem utilizados para o treinamento de modelos."
O treinamento de um modelo de IA pode levar meses e não exige muita manipulação em tempo real, tornando a latência um problema menor.

Além disso, Ulanqab não está tão longe em termos relativos. A Mongólia Interior é muito mais próxima de Pequim e de outras grandes áreas metropolitanas chinesas do que qualquer outro centro de data centers no oeste do país. A região agora está conectada por dois cabos de fibra óptica dedicados, construídos em 2017 e 2019, que reduziram as velocidades médias de latência para menos de cinco milissegundos, rápido o suficiente para suportar trocas de dados em tempo real, como inferência de IA.

Demanda Comercial e o Dilema da Energia

O crescimento de Ulanqab parece ser impulsionado mais pela demanda comercial do que pelo investimento liderado pelo governo, como aponta Stokols. À medida que startups chinesas de IA como DeepSeek, Moonshot AI e Zhiput AI atraem mais usuários pagantes, elas encontram um caso de negócio viável para data centers de inferência próximos o suficiente para atender sem latência excessiva.

O governo chinês também vê a construção de data centers na Mongólia Interior como uma oportunidade para absorver o excesso de capacidade de energia renovável do país. Damien Ma, diretor da Carnegie China, um centro de pesquisa baseado em Singapura, observa uma correlação positiva entre as regiões da China com mais energia renovável não utilizada e aquelas que construíram mais data centers. Essa estratégia é vista como um "ganha-ganha": a China pode acompanhar o ritmo de construção de data centers nos EUA, enquanto simultaneamente aumenta a demanda por energia renovável. A Envision, uma das maiores fabricantes chinesas de turbinas eólicas, anunciou a construção de um data center de IA de 2 gigawatts em Ulanqab, conectado diretamente ao seu próprio fornecimento de energia limpa.

No entanto, especialistas alertam que considerar data centers de IA e energia renovável na China como uma combinação perfeita é uma simplificação. A pesquisa de Stokols revelou que cerca de 37% da eletricidade em Ulanqab ainda provém do carvão. Tradicionalmente, os operadores de data centers preferem combustíveis fósseis devido à sua confiabilidade, já que precisam operar 24 horas por dia.

"A Mongólia Interior tem sido o Vale do Silício do carvão na China", afirma Ma.
Embora a região esteja em uma corrida para substituir o carvão por energia eólica e solar, a velocidade e o alcance dessa transição ainda são incertos. Por enquanto, os novos data centers ainda dependerão do carvão em certa medida, mas Ma sugere que
"em três anos, talvez seja completamente alimentado por energias renováveis."

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