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IA, aborto, chatbots, ética, desinformação

Chatbots de IA Direcionam Grávidas a Sites Antiaborto Sem Aviso? Entenda a Investigação

Uma investigação do AlgorithmWatch revelou que chatbots de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini, Grok e Claude frequentemente direcionam usuários grávidas a organizações antiaborto sem divulgar a postura ideológica desses grupos. Em pelo menos uma a cada quatro consultas, os chatbots incluíram links para sites antiaborto, com a organização Profemina aparecendo de forma proeminente e, na Alemanha, usuários sendo enviados a centros que não emitem certificados necessários.

Redação USO IA Edição de Emerson Zanoti 📖 5 min 👁 2
Imagem gerada por IA · IA, aborto, chatbots, ética, desinformação · Assunto apurado por: The Decoder
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Uma investigação do AlgorithmWatch revelou que chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini, Grok e Claude, frequentemente direcionam usuários grávidas a organizações antiaborto sem divulgar a postura ideológica desses grupos. Em pelo menos uma a cada quatro consultas, os chatbots incluíram links para sites antiaborto, com a organização Profemina aparecendo de forma proeminente, segundo apurou o The Decoder.

Qual a descoberta principal da investigação?

A principal descoberta da investigação, realizada pelo AlgorithmWatch, é que os chatbots de IA ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google), Grok (xAI) e Claude (Anthropic) consistentemente fornecem links para organizações antiaborto quando questionados sobre gravidezes não planejadas. O problema reside na falta de transparência, pois os sistemas falham em informar os usuários sobre a inclinação ideológica dessas fontes. A pesquisa, que gerou 270 respostas em inglês, alemão e italiano a partir de três personas fictícias, mostrou que, em no mínimo 25% das consultas, havia um link para um site com viés antiaborto, sem diferenciar entre autoridades de saúde oficiais e grupos com pautas ideológicas.

Qual organização antiaborto foi frequentemente mencionada e por quê?

A organização Profemina foi citada em cerca de 17% de todas as respostas analisadas. De acordo com o AlgorithmWatch, a Profemina possui ligações com a Heartbeat International, uma das mais antigas organizações antiaborto dos Estados Unidos. Na maioria das interações, os chatbots não indicaram essa conexão. Somente quando pressionado, o ChatGPT reconheceu que a Profemina "não é uma fonte médica neutra" e "tem uma postura que visa desencorajar o aborto ou colocá-lo sob forte escrutínio moral". Em conversas em alemão e italiano, a Profemina foi mencionada em 33% e 29% das consultas, respectivamente, quando solicitadas experiências pessoais, segundo o The Decoder. A organização não respondeu aos pedidos de comentário.

Houve exemplos de comportamento inconsistente por parte dos chatbots?

Sim, foram observados comportamentos inconsistentes. O Gemini, por exemplo, chegou a vincular-se à Profemina cinco vezes em uma única conversa, compartilhando até um gráfico do site do grupo, para depois alertar sobre a mesma fonte mais tarde no mesmo chat. O Claude exibiu um comportamento similar, emitindo avisos enquanto também fornecia links para a organização. Além disso, em 11 das 12 conversas em alemão, os chatbots recomendaram a Caritas para aconselhamento sobre gravidez. Contudo, a Caritas não emite o certificado de aconselhamento que a lei alemã exige antes que uma pessoa possa fazer um aborto legal nas primeiras doze semanas. Isso pode fazer com que a pessoa perca tempo crucial, segundo a investigação do AlgorithmWatch, como destacou o The Decoder. O ChatGPT chegou a classificar a Caritas como uma organização "reconhecida" para aconselhamento obrigatório, listando-a ao lado da Pro Familia como uma opção igualitária.

Qual a postura das empresas de IA e dos reguladores?

Google e OpenAI se referiram às suas diretrizes de política, que não abordam especificamente consultas relacionadas ao aborto. Um porta-voz da OpenAI afirmou que o GPT-5.5, lançado após o período de testes, é "o melhor até agora em levar em consideração o contexto do usuário, como gênero". Anthropic e xAI não responderam aos questionamentos do AlgorithmWatch. No entanto, o The Decoder aponta que as respostas geradas por IA funcionam como guardiões sem responsabilidade, e um tribunal de Munique já decidiu que as proteções de responsabilidade limitada para mecanismos de busca não se aplicam aos chatbots. Dessa forma, as respostas de IA devem ser tratadas como conteúdo original, implicando total responsabilidade legal. Os reguladores de mídia da Alemanha concordam, classificando motores de busca e chatbots de IA como provedores de conteúdo com plena responsabilidade legal.

Qual o impacto mais amplo das respostas de IA em tópicos sensíveis?

As descobertas sobre o aborto, conforme revelado pelo The Decoder, são aplicáveis a outros tópicos sensíveis. As respostas geradas por IA, mesmo aquelas com pesquisa integrada, são caixas-pretas moldadas por dados de treinamento, ponderações culturais e manipulação externa. O tom empático e a aparente completude dessas respostas fazem com que pareçam confiáveis para não-especialistas. Pesquisas indicam que as respostas geradas por IA do Google reduzem drasticamente os cliques para as fontes subjacentes, significando que os usuários raramente questionam o que lhes é dito. Essa é a principal diferença entre os chatbots de IA e os motores de busca tradicionais. A investigação do AlgorithmWatch demonstra a dificuldade em cumprir as obrigações legais impostas aos provedores de conteúdo de IA, dadas as complexidades técnicas que podem ser quase impossíveis de resolver.

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