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China acusa EUA de 'guerra fria da IA' ao usar segurança para frear avanço tecnológico

A China rejeita as advertências dos EUA sobre os riscos da IA, classificando-as como táticas de 'alarmismo' para garantir a vantagem americana. Pequim acusa líderes de tecnologia dos EUA de orquestrar uma 'guerra fria da IA' para sufocar seu progresso, enquanto defende a construção rápida de infraestrutura e chips avançados, recusando-se a desacelerar o desenvolvimento.

Redação USO IA Edição de Emerson Zanoti 📖 5 min 👁 2
Imagem gerada por IA · China EUA IA Segurança · Assunto apurado por: The Decoder
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China responde às advertências americanas sobre segurança da IA

A China criticou duramente as preocupações de segurança com a inteligência artificial levantadas por líderes de tecnologia dos Estados Unidos, como o CEO da Anthropic, Dario Amodei, classificando-as como táticas de "alarmismo" para consolidar a vantagem americana. Essa postura levanta uma questão crucial: as advertências sobre os riscos da IA são genuínas ou servem como uma ferramenta geopolítica em meio à crescente corrida tecnológica?

De acordo com o The Decoder, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, defendeu um desenvolvimento da IA que seja "aberto, inclusivo, universalmente benéfico e ético". Em Pequim, ele declarou que o "alarmismo, confronto e competição viciosa" perturbariam a governança global da IA e não serviriam aos interesses de ninguém. Essa declaração reflete a visão chinesa de que as preocupações de segurança podem estar mascarando outras intenções.

O jornal estatal Global Times foi ainda mais direto, acusando Amodei de estar orquestrando uma "guerra fria silenciosa da IA" com o objetivo de frear o progresso tecnológico da China. Amodei, por sua vez, havia clamado por ações contra a prática de "destilação", que consiste em utilizar as saídas de modelos de IA americanos para treinar sistemas concorrentes, uma prática que a China poderia estar adotando.

Em contraste com as vozes ocidentais que pedem uma desaceleração, o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, alertou sobre o uso indevido da IA por "forças hostis" através de deepfakes e ciberataques. Ele chegou a citar os modelos Mythos da Anthropic e GPT-5.5-Cyber da OpenAI como capazes de identificar vulnerabilidades e criar malwares. No entanto, sua resposta não foi um pedido por lentidão, mas sim um apelo por mais pesquisa em chips avançados, uma construção mais rápida da infraestrutura de IA e uma supervisão mais rigorosa, conforme relatado pelo G1 Tecnologia.

"Alarmismo, confronto e competição viciosa perturbariam a governança global da IA e não serviriam aos interesses de ninguém." — Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, sobre o desenvolvimento da IA.

A percepção chinesa é de que Washington poderia invocar preocupações de segurança ou segurança nacional para justificar restrições tecnológicas mais amplas. O pesquisador Sun Chenghao, da Universidade de Tsinghua, sugere que autoridades chinesas veem os pedidos para desacelerar o desenvolvimento como uma estratégia para "congelar" a vantagem existente dos EUA no campo da inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, a divisão de opiniões também é notável. O ex-presidente Donald Trump já havia se manifestado contra qualquer desaceleração voluntária da IA, especialmente diante da corrida tecnológica com a China. Ele argumentou que os líderes de tecnologia estavam descrevendo cenários catastróficos que, em sua visão, não se concretizarão. O canal USA TODAY publicou um vídeo no YouTube onde Trump aborda as declarações dos CEOs de tecnologia sobre os riscos da inteligência artificial.

Trump brushes off calls for AI slowdown from tech CEOs — canal USA TODAY no YouTube.

Essa discussão ocorre pouco antes da cúpula planejada entre Trump e Xi, marcada para 24 de setembro, o que adiciona uma camada de tensão geopolítica ao debate. Nomes proeminentes da tecnologia, como Dario Amodei, Sam Altman e Elon Musk, já haviam defendido publicamente a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da IA avançada. Sam Altman, CEO da OpenAI, esclareceu que "ritmar" não significa "parar", mas sim progredir mais lentamente do que o possível, com intervenções como casos de segurança e monitoramento que implicam custos significativos.

A recusa da China em acompanhar uma desaceleração voluntária coloca os laboratórios de IA americanos, que já têm um forte envolvimento militar, em uma posição delicada. Se o próprio governo dos EUA se opuser a uma desaceleração, a única opção restante seria construir o sistema de IA mais poderoso possível, e o mais rápido possível. Essa dinâmica, segundo o The Decoder, poderia facilmente escalar para uma corrida armamentista da IA, com paralelos inquietantes à Guerra Fria.

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