Lauren Fortier do MIT Desenvolve Automação para Operações de Usinas Nucleares

Lauren Fortier do MIT Desenvolve Automação para Operações de Usinas Nucleares
Lauren Fortier, estudante de doutorado no Departamento de Ciência e Engenharia Nuclear do MIT, está liderando uma pesquisa para desenvolver protocolos de operação remota para o controle autônomo de usinas nucleares. Seu trabalho visa tornar a energia nuclear uma fonte limpa mais competitiva e econômica, especialmente para o futuro de microrreatores distribuídos em áreas remotas. A abordagem foca na colaboração humano-máquina e em sistemas de automação transparentes, não baseados em inteligência artificial ou aprendizado de máquina, para garantir a segurança e a confiança dos usuários.
A energia nuclear, embora reconhecida como uma fonte de energia limpa, enfrenta o desafio de se tornar economicamente competitiva e viável para uma adoção mais ampla. É nesse cenário que Lauren Fortier, estudante de doutorado do segundo ano no Departamento de Ciência e Engenharia Nuclear (NSE) do MIT, está fazendo a diferença. Fortier está na vanguarda do desenvolvimento de protocolos de operação remota para o controle autônomo de usinas nucleares, um passo crucial para o futuro da energia atômica.
Experiência da Marinha e a busca por eficiência
A jornada de Fortier começou muito antes de seu ingresso no MIT. Após concluir sua graduação em ciência e engenharia de materiais na Northwestern University, ela supervisionou as operações de usinas nucleares em um porta-aviões da Marinha dos EUA no Mar da China Meridional. Essa experiência única a fez perceber a dependência total da energia nuclear para a movimentação da embarcação, e a fez se apaixonar pelos aspectos operacionais e pela ciência por trás do funcionamento das usinas.
"Foi uma experiência única que você não vê facilmente em nenhum outro lugar, especialmente a completa dependência da energia nuclear. A única maneira de se mover pelo oceano é se você tiver aquele reator nuclear funcionando", afirma Fortier.
No entanto, essa vivência também a tornou ciente das deficiências dos processos existentes. Fortier notou que muitas operações das usinas eram intensamente manuais, o que a levou a questionar se poderiam ser menos dependentes da intervenção humana.
Do Mestrado ao Doutorado: O Caminho para a Autonomia
A Marinha ofereceu a Fortier a oportunidade de cursar um mestrado, e ela escolheu engenharia nuclear no MIT para aprofundar seu trabalho. "Minhas experiências na área nuclear até então tinham sido esmagadoramente positivas, então pensei em desenvolvê-las e sair do reino das operações para o acadêmico", explica Fortier. Seu intenso treinamento na Marinha a preparou para o rigor acadêmico do MIT.
Para seu mestrado, Fortier desenvolveu um sistema de controle supervisório para a operação de usinas nucleares, utilizando um simulador que apresentava uma forte resposta termo-hidráulica. A premissa era que as lições aprendidas nas simulações poderiam ser aplicadas a situações do mundo real.
No entanto, a pesquisa do mestrado foi apenas o começo. Fortier percebeu que havia muito mais a ser feito para tornar a energia nuclear viável no futuro, especialmente com a ascensão dos pequenos reatores, ou microrreatores, que poderiam ser distribuídos em larga escala e em áreas rurais. As operações em usinas legadas dependem de um grande número de funcionários devido à sua capacidade total e aos custos justificáveis. Mas microrreatores em larga escala e remotos não podem arcar com uma equipe tão vasta, o que torna as operações autônomas supervisionadas e rigorosamente verificadas essenciais.
A questão central se tornou: "Como fazemos a transição para operações autônomas em usinas nucleares?". Fortier buscou uma abordagem integrada, um sistema de controle supervisório centralizado, em vez de muitas partes interligadas. O desafio era adaptar operações projetadas principalmente para humanos para incluir também máquinas. Ela percebeu que um sistema rígido limitaria o escopo, e propôs uma colaboração estratégica onde humanos e computadores trabalham juntos, com intervenção humana apenas quando necessário.
Esse objetivo ambicioso levou Fortier a prosseguir para o doutorado após concluir o mestrado em 2025.
Colaborações Estratégicas e Abordagem Transparente
Na sua pesquisa de doutorado, Fortier tem se beneficiado de diversas colaborações no MIT e com instituições externas. Seu orientador, Sacit Cetiner, possui um cargo conjunto no MIT NSE e no Idaho National Laboratory (INL). Para abordar a interface humano-máquina em um sistema de controle supervisório autônomo, Fortier trabalhou com Katya Le Blanc, cientista sênior de fatores humanos no INL, e com o Laboratório de Simulação de Sistemas Humanos do INL.
"Sou muito engenheira e não tenho muita experiência em comportamento humano, então a colaboração com o INL foi um grande benefício para mim. Obtive melhores insights em muitos aspectos, incluindo o que você quer ver quando um humano precisa assumir o controle de uma máquina quando ela não está mais funcionando", afirma Fortier.
Ela também colaborou com a Westinghouse, uma organização líder em projeto e fornecimento de usinas nucleares de gerações atuais e futuras, onde completou um estágio de verão em 2025 para testar suas ideias. No MIT, Fortier aprendeu teoria de controle com Anuradha Annaswamy, co-orientadora e diretora do Active-Adaptive Control Laboratory, e também é co-orientada por Curtis Smith, professor no MIT NSE.
Fortier esclarece que os sistemas operacionais que ela está projetando incorporarão um movimento gradual e sistemático em direção à autonomia, a fim de construir confiança com os usuários. "Quando introduzimos um procedimento automatizado que o guia passo a passo pelo que você faria de qualquer maneira, isso é tranquilizador e constrói confiança", observa Fortier.
Crucialmente, a automação desenvolvida por Fortier é baseada em um processo chamado autômatos de estados finitos. Ao contrário da inteligência artificial (IA) ou do aprendizado de máquina, este método é extremamente transparente em sua execução. É um sistema de eventos discretos, o que significa que cada movimento na estrutura de automação é orientado por eventos – "se isso acontecer, faça aquilo" – ajustando-se às condições atuais da usina e fazendo transições claras entre vários estados ou eventos.
"Não estamos usando uma abordagem estatística baseada em dados como aprendizado de máquina porque ainda não temos as ferramentas para validar a operação de tais sistemas", explica Fortier, destacando a importância da segurança e da validação no setor nuclear.
O trabalho promissor de Fortier foi reconhecido com um prêmio na edição de 2025 da Competição Estudantil de Inovações em Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Nuclear, do Programa de Energia Nuclear Universitária do Departamento de Energia dos EUA.
A aplicação desse programa de automação em equipamentos de próxima geração trará o impulso necessário para o desenvolvimento e implantação de microrreatores comerciais. Fortier está otimista com o futuro, enfatizando o valor das colaborações: "As colaborações com outras pessoas e os relacionamentos que estabelecemos com as partes interessadas realmente ajudaram a causar um impacto e apoiaram a relevância do trabalho", conclui. "Às vezes, quando você está preso em sua própria bolha, essa perspectiva externa é muito útil."
Fonte: MIT News AI (https://news.mit.edu/2026/working-automate-nuclear-plant-operations-lauren-fortier-0724)



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