← Curso Inteligência Artificial do zero: o curso base para qualquer profissão 20 aulas
O que a IA é — e onde ela erra

As sete formas de errar que valem para qualquer profissão

Armadilha 5 min de leitura

Fato inventado, número plausível, fonte que não existe, conta errada, informação velha, viés e concordância — com exemplo de cada.

Independentemente da sua área, os erros são os mesmos sete. Reconhecê-los é mais útil que decorar prompts, porque eles aparecem em qualquer ferramenta e em qualquer versão.

Ao final desta aula você consegue
  • Reconhecer os sete padrões de erro.
  • Saber qual verificação pega cada um.
  • Entender por que alguns são muito mais caros que outros.
#ErroO que pegaCusto se passar
1Fato inventado sobre pessoa, empresa ou produtoConferir na fonte originalAlto — vira constrangimento público
2Número plausível sem origemPerguntar de onde veioAlto — vira decisão errada
3Fonte ou citação que não existeAbrir o link e lerAlto — destrói credibilidade
4Conta feita erradoRefazer na calculadoraMédio a alto
5Informação desatualizadaChecar a dataMédio
6Viés herdado do material de treinoPerguntar quem ficou de foraAlto e invisível
7Concordar com a sua premissa erradaPedir a visão contráriaAlto em decisão

Os três primeiros são os que mais aparecem e os que mais custam, porque saem da sua mesa e chegam em outra pessoa.

1 e 2 — O fato e o número que soam certos

Você escreveu
Escreva um parágrafo de abertura para minha apresentação sobre atendimento ao cliente, com um dado que impressione.
A IA respondeu
Estudos recentes mostram que 68% dos clientes abandonam uma marca
após uma única experiência ruim de atendimento, e que conquistar
um novo cliente custa cerca de sete vezes mais do que manter um
atual. Diante desse cenário...
O que ler nessa resposta
  • Os números têm exatamente o formato de dados reais desse tema — e é por isso que passam batido.
  • "Estudos recentes mostram" não é fonte. Não dá para conferir uma coisa que não foi nomeada.
  • O "sete vezes mais" é uma daquelas estatísticas que circulam há décadas e cuja origem quase ninguém consegue rastrear. Pode ser certo, pode ser lenda — você não sabe, e vai apresentar mesmo assim.
  • Se alguém na plateia pedir a fonte, a apresentação inteira perde força — inclusive as partes que estavam certas.

A correção é simples e desconfortável: todo número que sai da sua boca precisa ter uma origem que você abriu. Se não achar a fonte, tire o número ou troque por algo que você observou. "Nos nossos últimos 30 atendimentos, 4 clientes reclamaram do tempo de espera" é mais fraco no papel e muito mais forte na sala.

3 — A fonte que não existe

ArmadilhaPedir a fonte não verifica a fonte

Peça "cite as fontes" e você recebe referências no formato certo: nome de instituição, ano, às vezes um link. O modelo produz o formato de uma citação com a mesma facilidade com que produziu o número.

A única verificação que funciona é abrir. Se o link não existe, se abre em outra coisa, ou se a página não contém aquele número, o dado morreu ali.

Como perceber: Você usou uma informação porque a IA disse que havia uma fonte, sem clicar.

4 — A conta errada

Pedindo a conta pronta
Se eu vendi R$ 47.300 em janeiro e R$ 52.180 em fevereiro,
qual foi o crescimento percentual?

Vem uma resposta com aparência definitiva. Pode estar certa; pode estar arredondada de um jeito estranho, ou simplesmente errada.

Pedindo a conta explicada
Se eu vendi R$ 47.300 em janeiro e R$ 52.180 em fevereiro,
qual foi o crescimento percentual?

Mostre a fórmula e cada passo do cálculo separadamente,
para eu conferir na calculadora.

Você vê (52180 - 47300) / 47300 × 100 e confere em dez segundos. Se o passo estiver certo, o resultado está.

A diferença: Modelos de linguagem processam números como texto, não como quantidade. Contas simples costumam sair certas; contas com muitos passos, porcentagem sobre porcentagem e datas erram com frequência. Pedir os passos transforma um resultado opaco em algo conferível.

5, 6 e 7 — Os três silenciosos

  • Informação desatualizada. O modelo aprendeu até certa data. Preço, lei, versão de produto, cargo de quem trabalha onde — tudo isso muda. Se a resposta importa e o assunto muda com o tempo, confirme a data.
  • Viés herdado. Peça exemplos de líderes, profissionais de sucesso ou casos de referência e observe quem aparece. O modelo reproduz a distribuição do material que leu, que não é neutra. Vale perguntar explicitamente: "quem ficou de fora dessa lista?".
  • Concordância. Se você escreve "acho que o problema é X, confere?", a resposta tende a confirmar X. Não é bajulação: é que a continuação mais provável de uma pergunta enviesada é uma resposta enviesada. Voltamos a isso na aula 2.4.
Checagem antes de seguir
  • Todo número tem origem que eu abri.
  • Toda citação foi conferida na fonte original.
  • Contas vieram com os passos e eu refiz uma delas.
  • Assuntos que mudam com o tempo foram confirmados por data.
  • Perguntei o que ficou de fora das listas e exemplos.
Em uma frase
  • Fato, número e fonte são os três erros que saem da sua mesa e chegam em outra pessoa — são os que exigem verificação sempre.

Comentários e dúvidas

Inscreva-se grátis para comentar, tirar dúvidas, marcar seu progresso e emitir o certificado ao fim do curso.

Inscrever-se grátis com Google

Ainda não há comentários nesta aula.