As sete formas de errar que valem para qualquer profissão
Fato inventado, número plausível, fonte que não existe, conta errada, informação velha, viés e concordância — com exemplo de cada.
Independentemente da sua área, os erros são os mesmos sete. Reconhecê-los é mais útil que decorar prompts, porque eles aparecem em qualquer ferramenta e em qualquer versão.
- Reconhecer os sete padrões de erro.
- Saber qual verificação pega cada um.
- Entender por que alguns são muito mais caros que outros.
| # | Erro | O que pega | Custo se passar |
|---|---|---|---|
| 1 | Fato inventado sobre pessoa, empresa ou produto | Conferir na fonte original | Alto — vira constrangimento público |
| 2 | Número plausível sem origem | Perguntar de onde veio | Alto — vira decisão errada |
| 3 | Fonte ou citação que não existe | Abrir o link e ler | Alto — destrói credibilidade |
| 4 | Conta feita errado | Refazer na calculadora | Médio a alto |
| 5 | Informação desatualizada | Checar a data | Médio |
| 6 | Viés herdado do material de treino | Perguntar quem ficou de fora | Alto e invisível |
| 7 | Concordar com a sua premissa errada | Pedir a visão contrária | Alto em decisão |
Os três primeiros são os que mais aparecem e os que mais custam, porque saem da sua mesa e chegam em outra pessoa.
1 e 2 — O fato e o número que soam certos
Escreva um parágrafo de abertura para minha apresentação sobre atendimento ao cliente, com um dado que impressione.
Estudos recentes mostram que 68% dos clientes abandonam uma marca após uma única experiência ruim de atendimento, e que conquistar um novo cliente custa cerca de sete vezes mais do que manter um atual. Diante desse cenário...
- Os números têm exatamente o formato de dados reais desse tema — e é por isso que passam batido.
- "Estudos recentes mostram" não é fonte. Não dá para conferir uma coisa que não foi nomeada.
- O "sete vezes mais" é uma daquelas estatísticas que circulam há décadas e cuja origem quase ninguém consegue rastrear. Pode ser certo, pode ser lenda — você não sabe, e vai apresentar mesmo assim.
- Se alguém na plateia pedir a fonte, a apresentação inteira perde força — inclusive as partes que estavam certas.
A correção é simples e desconfortável: todo número que sai da sua boca precisa ter uma origem que você abriu. Se não achar a fonte, tire o número ou troque por algo que você observou. "Nos nossos últimos 30 atendimentos, 4 clientes reclamaram do tempo de espera" é mais fraco no papel e muito mais forte na sala.
3 — A fonte que não existe
Peça "cite as fontes" e você recebe referências no formato certo: nome de instituição, ano, às vezes um link. O modelo produz o formato de uma citação com a mesma facilidade com que produziu o número.
A única verificação que funciona é abrir. Se o link não existe, se abre em outra coisa, ou se a página não contém aquele número, o dado morreu ali.
Como perceber: Você usou uma informação porque a IA disse que havia uma fonte, sem clicar.
4 — A conta errada
Se eu vendi R$ 47.300 em janeiro e R$ 52.180 em fevereiro, qual foi o crescimento percentual?
Vem uma resposta com aparência definitiva. Pode estar certa; pode estar arredondada de um jeito estranho, ou simplesmente errada.
Se eu vendi R$ 47.300 em janeiro e R$ 52.180 em fevereiro, qual foi o crescimento percentual? Mostre a fórmula e cada passo do cálculo separadamente, para eu conferir na calculadora.
Você vê (52180 - 47300) / 47300 × 100 e confere em dez segundos. Se o passo estiver certo, o resultado está.
A diferença: Modelos de linguagem processam números como texto, não como quantidade. Contas simples costumam sair certas; contas com muitos passos, porcentagem sobre porcentagem e datas erram com frequência. Pedir os passos transforma um resultado opaco em algo conferível.
5, 6 e 7 — Os três silenciosos
- Informação desatualizada. O modelo aprendeu até certa data. Preço, lei, versão de produto, cargo de quem trabalha onde — tudo isso muda. Se a resposta importa e o assunto muda com o tempo, confirme a data.
- Viés herdado. Peça exemplos de líderes, profissionais de sucesso ou casos de referência e observe quem aparece. O modelo reproduz a distribuição do material que leu, que não é neutra. Vale perguntar explicitamente: "quem ficou de fora dessa lista?".
- Concordância. Se você escreve "acho que o problema é X, confere?", a resposta tende a confirmar X. Não é bajulação: é que a continuação mais provável de uma pergunta enviesada é uma resposta enviesada. Voltamos a isso na aula 2.4.
- Todo número tem origem que eu abri.
- Toda citação foi conferida na fonte original.
- Contas vieram com os passos e eu refiz uma delas.
- Assuntos que mudam com o tempo foram confirmados por data.
- Perguntei o que ficou de fora das listas e exemplos.
- Fato, número e fonte são os três erros que saem da sua mesa e chegam em outra pessoa — são os que exigem verificação sempre.
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