Os quatro que sempre exigem fonte
Número, data, nome próprio e citação — por que esses quatro, e como conferir cada um em menos de um minuto.
De tudo que a IA produz, quatro tipos de informação exigem fonte sempre, independentemente do nível de risco. Eles têm em comum o fato de serem verificáveis por terceiros — e é isso que os torna perigosos.
- Saber por que esses quatro e não outros.
- Conferir cada um rapidamente.
- Reconhecer quando a própria fonte é inventada.
| Tipo | Como conferir | Se não der para conferir |
|---|---|---|
| Número (valor, percentual, quantidade) | Abrir a origem; refazer a conta na calculadora | Remover, ou trocar por algo que você observou |
| Data e prazo | Conferir na fonte oficial, olhando a data da própria fonte | Escrever "verificar prazo vigente" em vez de arriscar |
| Nome próprio (pessoa, empresa, lei, norma, produto) | Buscar o nome exato e confirmar que existe e é isso | Descrever sem nomear |
| Citação (frase atribuída a alguém) | Achar a fonte primária, não uma página que repete | Não usar — citação errada é a que mais viraliza |
Por que esses quatro
Porque outra pessoa pode conferir. Uma opinião mal formulada gera discordância; um número inventado gera perda de credibilidade. A diferença é que o número tem um valor verdadeiro em algum lugar, e alguém pode ir lá.
É também por isso que eles são o alvo preferido de quem quer te desacreditar numa reunião: são o único ponto do seu texto que dá para checar em trinta segundos.
A fonte que não existe
"Cite as fontes de tudo que você afirmou." → vem uma lista com instituição, ano e link
O modelo produz o formato de uma citação com a mesma facilidade com que produziu o número. Pedir a fonte não verifica nada.
Abrir o link e responder: 1. A página existe? 2. O número está lá? 3. É exatamente esse número? 4. De que ano é o dado? 5. Essa página é a origem, ou está citando outra?
Três minutos por texto. É a única verificação que funciona.
A diferença: A pergunta 5 pega o caso mais comum e mais chato: uma página confiável citando outra que citou uma terceira, e no fim ninguém sabe de onde saiu.
Assistentes que buscam na web antes de responder erram menos, porque o número vem de uma página real. Mas eles ainda podem ler a página errada, confundir duas empresas de nome parecido, ou usar um dado de 2019 como se fosse atual.
O ganho é que agora existe um link para abrir. A obrigação de abrir continua sendo sua — e a de olhar a data da página, também.
Como perceber: Você confiou porque a ferramenta mostrou um link, sem clicar nele.
A saída honesta não é usar mesmo assim nem abandonar o texto. É reformular sem o dado: "a maioria dos clientes" no lugar de "73% dos clientes", ou trocar por algo que você mediu — "dos nossos últimos 40 atendimentos, 6 mencionaram isso".
Dado próprio pequeno é mais forte que estatística grande sem fonte, e ninguém consegue contestar.
- Todo número tem fonte que eu abri.
- Confirmei a data do dado, não só a existência da página.
- Verifiquei se a fonte é a origem ou está citando outra.
- Nenhuma citação foi usada sem confirmar na fonte primária.
- O que não deu para conferir foi reformulado ou removido.
- São verificáveis por terceiros — e é exatamente por isso que exigem fonte.
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