Anatomia de um pedido que funciona
Quatro campos — contexto, tarefa, formato e limite. Nenhum truque, nenhuma palavra mágica.
Circula muita lista de "prompts mágicos". Nenhum deles funciona melhor que dizer com clareza quem você é, o que precisa, como quer receber e o que não pode acontecer.
- Escrever pedidos com os quatro campos.
- Entender por que "aja como um especialista" faz menos do que parece.
- Definir o formato da resposta para economizar o seu tempo.
| Campo | O que responde | O que acontece se faltar |
|---|---|---|
| Contexto | Quem você é, para quem é, qual a situação | Vem uma resposta média, para uma pessoa média |
| Tarefa | O que exatamente você quer que seja feito | Vem algo próximo, mas não o que você precisava |
| Formato | Como quer receber: lista, tabela, e-mail, tamanho | Vem texto corrido que você vai ter que reformatar |
| Limite | O que não pode aparecer, o que não pode ser inventado | Vem número sem fonte e promessa que você não sustenta |
Escreve um e-mail cobrando um cliente que está atrasado no pagamento.
Vem um e-mail formal, genérico, com "esperamos contar com sua compreensão". Serve para qualquer empresa e qualquer cliente — e é isso que quem recebe percebe.
CONTEXTO: sou do financeiro de uma gráfica pequena. O cliente é antigo, compra todo mês há 3 anos, e nunca atrasou antes. Atrasou 12 dias na fatura de março. Quero preservar a relação. TAREFA: escrever um e-mail curto perguntando se houve algum problema, e oferecendo parcelar se for o caso. FORMATO: no máximo 6 linhas, tom de quem conhece a pessoa, sem juridiquês, assunto de até 5 palavras. LIMITE: não citar multa nem juros. Não inventar número de fatura nem valor — deixe [VALOR] e [Nº] para eu preencher.
Vem um e-mail que você poderia ter escrito, e que só faz sentido para aquele cliente. E os campos que você precisa preencher estão marcados, em vez de inventados.
A diferença: O campo que mais muda o resultado é o contexto, e o que mais evita problema é o limite. "Deixe [VALOR] para eu preencher" é a instrução que impede o número inventado de nascer.
Sobre "aja como um especialista"
A instrução de assumir um papel ("aja como um advogado", "você é um consultor sênior") ajuda um pouco: ela ajusta o vocabulário e o nível de detalhe. Mas ela não dá ao modelo conhecimento que ele não tem, e não torna a resposta mais confiável.
É frequente ver alguém tratar uma resposta como parecer técnico porque o pedido começava com "aja como um especialista". A frase mudou o tom, não a fonte. Se você precisa de segurança jurídica, contábil ou médica, o papel a assumir é o de quem consulta um profissional de verdade.
Termine o pedido com: "antes de responder, me faça as perguntas que faltam para você fazer isso bem".
Em tarefas com contexto, isso costuma devolver três ou quatro perguntas que você não tinha pensado — e responder a elas produz um resultado melhor que qualquer reescrita do prompt.
CONTEXTO: [quem eu sou, para quem é, qual a situação] TAREFA: [o que exatamente eu quero] FORMATO: [tipo, tamanho, tom] LIMITE: [o que não pode aparecer; o que deixar marcado para eu preencher] Antes de responder, me faça as perguntas que faltam para você fazer isso bem. Se não faltar nada, pode começar. Não invente nome, número, data nem valor. Onde faltar, escreva [PREENCHER: o quê].
As duas últimas instruções resolvem sozinhas a maior parte dos erros do módulo 1.
- O pedido diz quem eu sou e para quem é.
- A tarefa está específica, não genérica.
- Pedi o formato e o tamanho.
- Marquei o que não pode ser inventado.
- Pedi as perguntas que faltam.
- Contexto, tarefa, formato e limite — e a instrução de marcar [PREENCHER] em vez de inventar.
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