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Fluxo, medição e entrega final

Documentação que não inventa

Conceito 4 min de leitura

A técnica de fontes fechadas: como fazer o assistente escrever só o que está nas evidências e marcar explicitamente o que não encontrou.

Peça a documentação de um serviço e você recebe um texto excelente. Bem estruturado, completo, com exemplos de comando. Metade dos comandos não existe no seu projeto.

Ao final desta aula você consegue
  • Aplicar a técnica de fontes fechadas para eliminar invenção.
  • Fazer o assistente marcar lacunas em vez de preenchê-las.
  • Validar cada comando antes de publicar.

A causa é a mesma da aula 1.1: quando falta informação, a saída mais provável é a mais comum no material de treino. Um comando de deploy genérico é altamente provável; o seu comando de deploy específico, não. E documentação errada é pior que documentação ausente, porque ausência gera pergunta e erro gera confiança.

A técnica que resolve isso tem três partes: fornecer as fontes, proibir o que estiver fora delas, e exigir marcação explícita das lacunas.

Pedido aberto
Escreve a documentação de deploy do serviço de pedidos.

Vem um documento plausível com kubectl apply, variáveis de ambiente inventadas e um passo de rollback que não existe.

Pedido de fontes fechadas
Escreva o runbook de deploy usando SOMENTE as fontes abaixo.

Regras:
- Nenhuma afirmação pode vir do seu conhecimento geral.
- Tudo que não estiver nas fontes: escreva NÃO INFORMADO e siga.
- Ao final, liste as perguntas que eu preciso responder para completar.

FONTES:
[1] .github/workflows/deploy.yml: [cole]
[2] Makefile: [cole]
[3] Mensagem do último incidente de rollback: [cole]

Vem um documento menor, com lacunas visíveis — e as lacunas são exatamente o que ninguém tinha escrito ainda.

A diferença: O documento com dez NÃO INFORMADO é mais útil que o completo e inventado: ele vira uma lista de tarefas em vez de uma armadilha.

O que uma documentação boa responde

PerguntaQuem lê issoOnde costuma faltar
Como faço a coisa mais comum?Quem chegou hojeRaramente falta
Por que foi decidido assim?Quem vai mudar em 2027Falta quase sempre
O que não fazer?Quem vai improvisar às 3hFalta quase sempre
Como sei que deu certo?Quem executou e está inseguroFalta com frequência
O que fazer quando falha?Quem está no incidenteFalta com frequência

As quatro últimas linhas são o que separa documentação de tutorial. Nenhuma delas o assistente consegue inventar — todas dependem de fonte.

ArmadilhaComando plausível é o erro mais caro

Um comando errado num runbook é lido por alguém sob pressão, durante um incidente, e executado sem revisão. É o pior contexto possível para um erro de documentação.

Regra sem exceção: todo comando de runbook é executado uma vez em ambiente seguro antes de o documento ser publicado. Se não deu para testar, o comando entra marcado como NÃO VALIDADO.

Como perceber: O runbook tem um comando que ninguém no time lembra de ter rodado.

Onde a IA rende de verdade em documentação

Não é em escrever do zero — é em transformar: virar um histórico de pull requests em changelog, um conjunto de testes em descrição de comportamento, uma thread de incidente em post-mortem estruturado.

Em todos esses casos a fonte é rica e real, e o trabalho é de reorganização. É exatamente onde a invenção tem menos espaço.

Checagem antes de seguir
  • As fontes foram fornecidas e listadas no pedido.
  • O documento marca NÃO INFORMADO em vez de preencher.
  • Todo comando foi executado uma vez em ambiente seguro.
  • O documento responde "por que" e "o que não fazer", não só "como".
  • As perguntas em aberto viraram tarefas com responsável.
Em uma frase
  • Feche as fontes, proíba o conhecimento geral e exija que as lacunas apareçam marcadas.

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