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Da pergunta vaga à especificação de análise

Laboratório: transformar um pedido real em especificação

Mão na massa 6 min de leitura 30 min de prática Você leva: Especificação de análise

Pegar um pedido vago do seu trabalho e sair com uma especificação que outra pessoa conseguiria executar e chegar ao mesmo número.

O teste de uma boa especificação é simples: outra pessoa do time executa e chega exatamente ao mesmo número.

Mão na massa30 min
Converter um pedido real e vago numa especificação reproduzível, separando o que você decide do que é decisão de negócio.

Use um pedido que chegou para você nas últimas semanas e que você resolveu no impulso. A comparação entre o que você fez e o que a especificação pede costuma ser desconfortável — é justamente o ponto.

  1. Cole o pedido exatamente como chegou, com a redação original.
  2. Rode o prompt de abertura da aula 2.1 com o seu dicionário de dados.
  3. Classifique cada item: decido eu (técnico) / decide o negócio / não dá para responder com os dados que temos.
  4. Para os técnicos, escreva a decisão e o motivo em uma linha.
  5. Agrupe os de negócio em no máximo 4 perguntas e mande para quem pediu.
  6. Escreva a especificação com as respostas.
  7. Peça a alguém do time que leia e diga se conseguiria produzir o mesmo número. Anote cada dúvida.
Deu certo quando
  • A especificação define numerador, denominador, janela, unidade e exclusões.
  • Toda decisão de negócio tem nome e data de quem respondeu.
  • Outra pessoa leu e disse que conseguiria reproduzir.
  • O que os dados não respondem está escrito, não escondido.

Se travar: Se a análise da IA voltou genérica ("validar os dados", "verificar outliers"), você provavelmente colou o pedido resumido. Cole a mensagem original, com a redação truncada de quem escreveu no celular — a ambiguidade útil está ali.

Você leva daquiEspecificação de análise

O documento que transforma "consegue ver por quê?" em trabalho executável e conferível.

# Análise: [título]
Pedido por: [nome] em [data] · Analista: [você]

## Pedido original
> [cole sem editar]

## Pergunta reformulada
[a pergunta específica que esta análise responde]

## Decisão que depende disto
[o que vai ser feito com o resultado — define quanta precisão é necessária]

## Definições fixadas
| Termo | Definição operacional | Quem decidiu |
|-------|----------------------|--------------|
| churn | sem pedido há 60 dias | [nome], [data] |

## Recorte
- Período: [de/até] · Fuso: [America/Sao_Paulo]
- Comparação contra: [período/grupo] — janelas de mesmo tamanho? [sim/não]
- Unidade de análise: [cliente / pedido / receita]
- Exclusões: [lista]

## Explicações candidatas e como distinguir
| Hipótese | Dado que confirma | Dado que refuta |
|----------|-------------------|-----------------|

## O que os dados NÃO respondem
- [limitação real, com o motivo]

## Conferências que vou fazer
- [ ] Total bate com [fonte independente]
- [ ] Contagem de linhas antes/depois de cada JOIN
- [ ] Nulos medidos nas colunas agregadas

Onde guardar: No repositório de análises, junto do notebook ou do SQL.

A seção mais difícil de escrever

"O que os dados NÃO respondem" é a que dá mais trabalho e mais protege. Escrever "não conseguimos separar cancelamento voluntário de involuntário porque o motivo não é registrado" evita que a conclusão seja usada para uma decisão que ela não sustenta.

Também é a seção que mais frequentemente vira uma melhoria de instrumentação no trimestre seguinte.

Em uma frase
  • Especificação boa é aquela em que outra pessoa chega ao mesmo número sem te perguntar nada.

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