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Validar o resultado e interpretar sem esticar

Caso real: o teste A/B que venceu e não venceu

Estudo de caso 7 min de leitura

Um experimento com +18% de conversão, investigado até o fim — e as quatro coisas que o tornavam inválido antes de qualquer estatística.

A variante B converteu 18% a mais que a A. O time queria subir para 100% da base na segunda-feira. A análise levou duas horas e o teste não subiu.

Ao final desta aula você consegue
  • Checar validade do experimento antes de checar significância.
  • Reconhecer contaminação, parada antecipada e desbalanceamento.
  • Separar "não deu diferença" de "não conseguimos medir".

Os números que chegaram

VarianteVisitantesConversõesTaxa
A (controle)12.4803873,10%
B (nova página)11.9024363,66%
Diferença+18,1%

A pergunta que quase todo mundo faz primeiro — "isso é estatisticamente significativo?" — é a pergunta errada para começar. Significância mede se a diferença observada seria improvável por acaso, supondo que o experimento seja válido. Se a validade cair, a significância não significa nada.

A ordem correta é: validade primeiro, estatística depois.

Auditoria de validade antes de qualquer teste
Não calcule significância ainda. Audite a VALIDADE deste experimento.

Resultado: A = 387/12.480 (3,10%) · B = 436/11.902 (3,66%)
Período: [datas] · Divisão: [como o usuário era sorteado]
O que mudou em B: [descrição]

Verifique, um a um:
1) Desbalanceamento da amostra — os tamanhos deveriam ser iguais?
   Se diferem, o que isso indica?
2) Contaminação — o mesmo usuário pode ter visto as duas versões?
3) Parada antecipada — o teste foi encerrado ao ver o resultado?
4) Efeito de novidade / sazonalidade no período
5) A métrica medida é a que importa, ou só a primeira do funil?
6) Instrumentação — as duas variantes registram conversão do mesmo jeito?

Para cada item: como eu verifico isso com os dados que tenho.
Só depois de tudo verde, calcule significância.

O que a auditoria encontrou

VerificaçãoResultado
Desbalanceamento⚠ 12.480 × 11.902 — 4,6% de diferença numa divisão 50/50. Improvável por acaso com esse volume; indica perda de sessões em um dos lados
Contaminação⚠ divisão por sessão, não por usuário — quem voltou podia cair na outra variante
Parada antecipada✗ o teste foi olhado diariamente e encerrado no dia em que B abriu vantagem
Sazonalidade⚠ o período incluía uma promoção que começou no meio
Métrica⚠ media clique no botão, não pedido concluído
Instrumentação✗ B tinha um evento de conversão a mais, disparado no scroll

Quatro alertas e dois problemas graves. A significância estatística desse resultado é irrelevante — o experimento não mede o que diz medir.

O que cada problema faz

Parada antecipada é o mais sério e o menos conhecido. Olhar o resultado todo dia e parar quando dá diferença é matematicamente equivalente a rodar dezenas de testes e reportar o melhor. Com essa prática, a chance de achar um "vencedor" inexistente sobe muito acima dos 5% nominais. O teste precisa de tamanho de amostra definido antes e ser lido no fim.

Instrumentação assimétrica é o mais banal e o mais frequente: se a variante B dispara conversão em uma situação a mais, ela ganha por construção. Nenhuma estatística corrige isso.

Divisão por sessão faz o mesmo usuário aparecer nos dois grupos, o que dilui a diferença real e quebra a independência que os testes assumem.

O que quase foi comunicado
A nova página aumenta a conversão em 18%.
Recomendação: subir para 100% da base.

Uma mudança de produto baseada num experimento que media outra coisa.

O que foi comunicado
O teste não é conclusivo. Encontramos 2 problemas que invalidam
a comparação:

1. A variante B registra conversão numa situação a mais (scroll),
   então parte da diferença é instrumentação, não comportamento.
2. O teste foi encerrado ao ver a vantagem, o que infla a chance
   de resultado falso.

O que dá para afirmar hoje: nada sobre o efeito da nova página.

Para medir de verdade: igualar o evento de conversão, dividir por
usuário (não por sessão), fixar amostra de N antes e ler só no fim.
Com o tráfego atual, 12 dias. Posso configurar hoje.

O time não tomou uma decisão errada e ganhou um experimento que vai responder a pergunta em duas semanas.

A diferença: A estrutura da comunicação: o que encontrei + o que isso invalida + o que dá para afirmar + o caminho para responder. Nunca só "está errado".

ArmadilhaA IA calcula a significância que você pedir

Cole duas taxas e peça um teste de proporções: você recebe o cálculo correto, bem explicado, com p-valor e intervalo de confiança. Nada nessa resposta questiona se o experimento era válido — porque você não perguntou isso.

A conta está certa. A conclusão está errada. E o resultado sai com toda a autoridade de uma análise estatística formal.

Como perceber: Você recebeu um p-valor sem ninguém ter perguntado como os grupos foram formados.

Checagem antes de seguir
  • Validade auditada antes de qualquer cálculo de significância.
  • Tamanho de amostra definido antes do início.
  • Divisão por usuário, não por sessão.
  • As variantes registram conversão exatamente do mesmo jeito.
  • A métrica é a que importa para o negócio, não a mais fácil de medir.
  • Nenhuma decisão foi tomada sobre experimento inválido.
Em uma frase
  • Significância só significa alguma coisa depois que a validade do experimento foi verificada.

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