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Comunicar o achado e entregar o projeto

Escrever o achado, não o processo

Conceito 10 min de leitura Você leva: Modelo de relatório de análise

A estrutura que faz uma análise ser lida e usada: conclusão primeiro, incerteza junto, método no anexo.

A maior parte dos relatórios de análise é escrita na ordem em que o trabalho foi feito. Quem lê quer a ordem inversa.

Ao final desta aula você consegue
  • Abrir pela conclusão e pela decisão que ela apoia.
  • Comunicar incerteza sem enfraquecer o achado.
  • Usar a IA para reescrever sem inflar a conclusão.
Ordem cronológica
Extraí os dados de pedidos de janeiro a março, apliquei os
filtros de status e removi contas internas. Em seguida juntei
com a tabela de clientes e agreguei por coorte de aquisição.
Houve um problema com nulos em UF que tratei excluindo...

(quarto parágrafo) ...portanto o churn subiu por causa da
coorte de dezembro.

Quem decide lê o primeiro parágrafo, não entende a relevância e vai para outra coisa. A conclusão está na página 2.

Conclusão primeiro
**A alta do churn em março vem da coorte de dezembro, não do
reajuste de janeiro.**

Clientes adquiridos em dezembro têm churn de 14,2% no terceiro
mês, contra 6,1% das outras coortes. Quem foi reajustado em
janeiro tem churn de 5,8% — abaixo da média.

**O que fazer com isso:** o reajuste não precisa ser revisto.
Vale investigar o que mudou na aquisição de dezembro (a campanha
de fim de ano trouxe perfil diferente).

**Confiança:** alta para a diferença entre coortes (n=2.100 e
n=8.400). Não conseguimos separar causa de correlação — o perfil
da coorte de dezembro difere em canal e ticket, e não temos
grupo de controle.

---
Método, filtros e SQL no anexo.

A pessoa que decide tem tudo nas primeiras dez linhas: o achado, o que fazer, e o quanto confiar.

A diferença: A estrutura é sempre: achado → o que fazer → confiança → método no anexo. O método não sumiu; saiu do caminho de quem só precisa decidir.

Como escrever a incerteza

Em vez deEscreva
"os dados sugerem que talvez""a diferença é de 8 pontos (14,2% × 6,1%), com n suficiente"
"não é possível afirmar nada""dá para afirmar X; para afirmar Y precisaríamos de Z"
"o churn foi causado pela coorte""o churn está concentrado na coorte; não temos controle para afirmar causa"
"aproximadamente 3,7182%""~3,7% (base de 25 casos — margem larga)"
"conforme análise realizada"(apague — não acrescenta nada)

Incerteza bem escrita é específica. Vaga demais soa como insegurança de quem fez; específica soa como rigor.

Reescrever sem inflar
Reescreva esta análise para quem vai decidir, seguindo a ordem:
achado → o que fazer → confiança → método no anexo.

Público: [quem lê e o que já sabe]
Decisão que depende disso: [qual]

REGRAS RÍGIDAS:
- Não use nenhuma palavra causal (causou, gerou, provocou, por causa de,
  levou a) a menos que eu tenha dito que existe grupo de controle.
  Onde eu usei, troque por linguagem de associação.
- Não arredonde para números mais impressionantes.
- Não remova nenhuma ressalva de incerteza. Se achar alguma vaga demais,
  me pergunte o número em vez de apagar.
- Não acrescente nenhuma conclusão que não esteja no meu texto.
- Mantenha todos os n e denominadores.

Ao final, liste separadamente: (a) o que você reescreveu, (b) qualquer
ponto em que meu texto original afirma mais do que os dados sustentam.

Análise original:
[cole]

O item (b) é o mais útil: usar a IA como revisora do próprio exagero, não como amplificadora dele.

ArmadilhaA reescrita que "melhora" a conclusão

Peça para "deixar mais impactante" e você recebe: verbos causais entrando no lugar de associação, ressalvas somem por "atrapalharem a fluidez", e um número vira "quase o dobro" quando era 1,7×.

Nada disso é mentira deliberada — é a saída mais provável para um pedido de texto persuasivo. O pedido é que estava errado.

Como perceber: O texto reescrito tem menos ressalvas que o original e você não pediu para removê-las.

Você leva daquiModelo de relatório de análise

Uma página. O anexo pode ter dez.

# [Achado em uma frase, não o título da tarefa]
[analista] · [data] · pedido por [nome]

## O achado
[2-4 linhas com o número principal e o contraste que o torna relevante]

## O que fazer com isso
- [recomendação concreta]
- [o que NÃO precisa ser feito — tão útil quanto]

## Quanta confiança ter
- Forte: [o que os dados sustentam bem, com n]
- Fraco: [o que é indício]
- Não sabemos: [o que ficou fora do alcance e por quê]

## Se quiser ir além
[o próximo passo de instrumentação ou experimento, com prazo]

---
## Anexo — método
- Definições: [numerador, denominador, janela, unidade]
- Exclusões: [lista com contagem]
- Conferências: [camada 1 bateu com X; soma dos segmentos ✓]
- Qualidade: [nulos, extremos e o tratamento]
- SQL / notebook: [link]

Onde guardar: Junto da análise. O resumo vai para o canal; o documento fica no repositório.

Checagem antes de seguir
  • A conclusão está nas primeiras cinco linhas.
  • Existe uma recomendação concreta, e o que não fazer.
  • A incerteza está escrita com número, não com advérbio.
  • Nenhuma palavra causal sobreviveu sem grupo de controle.
  • O método está completo — no anexo.
Em uma frase
  • Achado, recomendação, confiança, método no anexo — nessa ordem, sempre.

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