A IA inventa fatos sobre a empresa do prospect
Como a invenção acontece, por que ela é convincente e o protocolo de verificação que custa dois minutos.
Este é o erro mais caro do curso, e ele tem um agravante: quanto melhor o modelo escreve, mais convincente fica o fato inventado.
- Entender por que a invenção é plausível e não aleatória.
- Aplicar o protocolo de verificação em dois minutos.
- Reconhecer os três tipos de afirmação que exigem fonte.
O modelo não inventa aleatoriamente. Ele preenche com o que é estatisticamente típico para o perfil descrito. Uma transportadora de médio porte em SP provavelmente cresceu, provavelmente expandiu, provavelmente tem desafio de custo. A invenção é a média do setor apresentada como fato daquela empresa.
É por isso que soa tão convincente — inclusive para você, que conhece o setor e reconhece o padrão como verossímil.
| Tipo de afirmação | Exige fonte? | Por quê |
|---|---|---|
| Fato sobre a empresa ("abriram um CD") | Sempre | Verificável e a base da credibilidade |
| Número da empresa ("cresceram 30%") | Sempre | Errado é constrangedor e às vezes público |
| Padrão de setor ("costuma subir 8 a 15%") | Sim, mas pode ser genérico | Precisa ser algo que você sustenta se questionado |
| Resultado do seu produto ("-11% em 6 semanas") | Sempre | Vira expectativa e pode virar contrato |
| Hipótese explícita ("imagino que") | Não | Está marcada como hipótese — e convida à correção |
A última linha é a saída elegante: transformar o que você não conseguiu verificar em hipótese explícita. "Imagino que a roteirização ainda seja manual — se estiver errado, me corrija" convida resposta e não pode estar errado.
O protocolo de dois minutos
- Releia a mensagem marcando toda afirmação sobre a empresa do prospect.
- Para cada uma, pergunte: em que fonte eu vi isso?
- Se a resposta for "a IA disse", abra a fonte. Se não existir, apague ou transforme em hipótese.
- Para números do seu produto: confira na tabela de provas da sua ficha.
- Reescreva as que não passaram como hipótese explícita ou pergunta.
Com a expansão de vocês para a região Sul e o crescimento de 30% na frota...
Se estiver errado, a mensagem morre no primeiro parágrafo e leva a credibilidade junto.
Vi o CD de Cajamar na notícia de janeiro. Imagino que a frota tenha crescido junto — se não foi por aí, me corrige.
O fato verificado abre; a parte não verificada aparece como hipótese e convida resposta. Se estiver errada, a correção é a própria conversa começando.
A diferença: Hipótese explícita não pode estar errada — ela pode ser corrigida. E gente corrige com mais facilidade do que responde.
Peça "cite as fontes" e você pode receber URLs plausíveis que não existem, ou existem e não dizem aquilo. O modelo produz o formato de uma citação com a mesma facilidade com que produziu o fato.
A verificação só vale quando você abre o link. É rápido: dois minutos para três fatos.
Como perceber: Você usou uma informação porque a IA disse que havia uma fonte, sem abrir.
Assistentes que buscam na web antes de responder erram menos — a informação vem de uma página real. Mas eles ainda podem ler a página errada, misturar duas empresas de nome parecido, ou usar uma notícia de 2019 como se fosse recente.
A verificação continua sendo abrir o link e conferir a data. O ganho é que agora existe um link para abrir.
- Toda afirmação sobre a empresa tem fonte que eu abri.
- Conferi a data da fonte, não só o conteúdo.
- Nenhum número do meu produto está fora da tabela de provas.
- O que não verifiquei virou hipótese explícita.
- Nenhuma URL foi aceita sem abrir.
- A IA preenche com a média do setor apresentada como fato da empresa — e a média do setor é sempre plausível.
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