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Triagem: eliminar por critério, não por impressão

Critério observável em vez de requisito copiado

Conceito 5 min de leitura

Como transformar "experiência com" em evidência verificável — e por que "anos de experiência" prediz tão pouco.

A maioria das triagens verifica presença de palavras: SQL, Power BI, cinco anos, superior completo. Nenhuma dessas verificações diz se a pessoa consegue fazer o trabalho.

Ao final desta aula você consegue
  • Substituir requisito declarativo por evidência observável.
  • Entender o limite de "anos de experiência" como critério.
  • Escrever critério que outra pessoa aplica igual.
Requisito copiadoCritério observável
"Experiência com SQL"Há evidência de ter extraído dados sem apoio de TI? Qual trecho?
"5+ anos de experiência"Já foi responsável por um fechamento mensal ponta a ponta?
"Boa comunicação"Há evidência de ter apresentado para público não técnico? Com que frequência?
"Perfil analítico"Descreveu algum problema que investigou e como chegou à causa?
"Conhecimento em Power BI"Construiu dashboard usado por outras pessoas, ou só consumiu?
"Superior completo"(remover, se a função não exige)

A coluna da direita pode ser respondida com "sim / não / não dá para saber" e com um trecho. A da esquerda só pode ser respondida com uma impressão.

O problema de "anos de experiência"

Tempo de experiência mede exposição, não competência. Dois profissionais com cinco anos podem ter feito coisas radicalmente diferentes: um repetiu o mesmo processo mensal 60 vezes, outro construiu três sistemas de custo do zero.

Pior: exigir tempo mínimo elimina quem fez muito em pouco tempo e mantém quem fez pouco em muito tempo. E como tempo de carreira correlaciona com idade, o requisito vira filtro etário indireto.

A substituição é direta: em vez de "5 anos", pergunte quantas vezes a pessoa fez a coisa que importa, e com que autonomia.

Triagem por evidência
Você vai avaliar trajetórias profissionais contra competências
definidas. NÃO ranqueie, NÃO dê nota global, NÃO compare candidatos
entre si.

Competências e o que conta como evidência:
[cole da ficha de vaga]

Para CADA trajetória, responda, competência por competência:
- Evidência: SIM / NÃO / NÃO DÁ PARA SABER PELO TEXTO
- Trecho exato que sustenta (se SIM)
- Se NÃO DÁ PARA SABER: qual pergunta eu faria para descobrir

Regras:
- "Não dá para saber" NÃO é "não". É uma pergunta para a entrevista.
- Não infira competência a partir de cargo, empresa ou instituição.
  Só do que a pessoa descreveu ter feito.
- Não avalie a qualidade da escrita do currículo.
- Ignore: tempo total de carreira, intervalos, ordem das empresas.

Trajetórias (sanitizadas):
[CANDIDATO A, B, C...]

A instrução "não infira competência a partir de cargo, empresa ou instituição" é a que mais reduz viés — são justamente os três atalhos que o modelo usa por padrão.

O que fazer com "não dá para saber"

Se muitos candidatos caem nessa categoria numa competência, o problema não são os candidatos: é que essa competência não é observável em currículo. Ela precisa de outra etapa — exercício prático ou pergunta específica.

Isso é informação sobre o seu processo, e vale mais que a triagem em si.

Checagem antes de seguir
  • Cada critério pode ser respondido com sim/não/não sei + trecho.
  • Nenhum critério usa tempo de experiência como corte.
  • Nenhuma competência foi inferida de cargo ou empresa.
  • "Não dá para saber" virou pergunta, não eliminação.
Em uma frase
  • Tempo de experiência mede exposição, não competência — e correlaciona com idade.

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